Qualidade, profissionalismo e sensibilidade nas decisões são fortes características de gestões femininas no governo de Rondônia

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ESPECIAL DIA DA MULHER

Em 2006, a pedagoga Eliete Nascimento Lopes, pós-graduada em Administração Escolar, recebeu um convite da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) que mudou sua vida profissional. Ser diretora da Escola José Otino de Freitas, em Porto Velho. “Eu tinha três anos como servidora pública, e na época estava como supervisora da Escola Mariana. Foi um desafio muito grande porque, na rede pública, eu tinha apenas a experiência de seis meses como diretora da Escola Jorge Teixeira, apesar de ter a experiência como gestora de escola particular, o que é totalmente diferente”, conta.

Com um total de 1.050 alunos matriculados na escola, do 6º ao 9º ano, Eliete conseguiu colocar a casa em ordem, e diz que o processo a fortaleceu como gestora. “Eu gosto do que faço, gosto de ser gestora. Temos uma equipe de trabalho muito boa, um conselho escolar fortalecido e também uma vice-diretora e uma supervisora atuantes. Nossa comunidade é exigente, e quem escolhe o José Otino é porque acredita que nós fornecemos qualidade. Isso demanda trabalho, mas também é positivo porque as pessoas têm essa referência de organização e qualidade”. A vice-diretora, Denise Sales, é o “braço direito” de Eliete.

Segundo a diretora, a escola apresentava conflitos quando assumiu o cargo, tanto de pessoal quando com mudanças de gestão. “Tivemos trabalho para colocar a e escola na ‘paz de espírito’ em que ela se encontra. Se eu disser que não temos conflitos não estaria sendo verdadeira, porque quando a gente lida com pessoas, sempre tem algum, mas conseguimos contornar. Tínhamos outra estrutura física, e em 2009 conseguimos uma reforma que ampliou a escola, trocou toda a parte elétrica, foi climatizada 100%, e desde então mantemos a estrutura, juntamente com o conselho escolar”, completa.

Como mulher e gestora, Eliete se diz realizada, mesmo com uma rotina de trabalho muito intensa. “Eu passo mais tempo dentro da escola do que na minha própria casa. Um bom gestor precisa estar dentro do ambiente, seja ele escola ou empresa, porque como diz o ditado, é o olho do dono que engorda o gado, então eu sou a primeira a chegar e a última a sair, e faço isso diariamente. Eu não poderia cobrar um funcionário ou de um professor se eu não estiver aqui”, considera.

Sobre preconceito quanto a ser mulher à frente da responsabilidade do cargo, Eliete diz que quando chegou à escola teve uma resistência das pessoas, que diziam que ela não daria conta. “Hoje isso não existe mais. Temos poucos homens trabalhando na escola, a maioria é mulher. De vez em quando acontecem algumas situações com os pais de alunos, e a gente sabe que a sociedade ainda tem esse preconceito, mas aí a gente vai com calma, sempre sem entrar em conflito com ninguém, e consegue mudar essa concepção, trabalhando para dar ainda mais qualidade ao ensino e contribuindo para o crescimento do estado através da Educação”.

Gestão de Gastos

Duda conta situações engraçadas por ser mulher à frente do cargo

Na verdade, Duda explica que conduz o serviço público há 14, com o rigor que merece em relação aos prazos de entrega de serviço, e processos. “Não estive sempre aqui na pasta, mas em qualquer lugar que eu esteja sempre vou procurar levar o trabalho com o ritmo que ele precisa para render.  Não vejo a Sugesp como um ‘bicho de sete cabeças’, mas é uma questão de saber lidar com o ser humano, e graças a Deus eu tenho uma boa parceria com os servidores. Eu não considero o cargo como algo que me dá poder, não deixo isso subir para a cabeça. Eu vejo uma oportunidade de aprendizado”.A diretora executiva da Superintendência Estadual de Gestão de Gastos Públicos (Sugesp), Maria de Jesus Vale da Silva, mais conhecida como Duda, mantém o trabalho também a pulso firme. “Ri muito ao saber que quando tem reunião, e os meninos ficam sabendo que eu vou presidir, já fazem logo cara feia, e dizem que é porque não gostam de ser mandados por uma mulher”, revela.

Somente na secretaria Duda lidera um grupo de 66 servidores, fora os demais em outras secretarias estaduais de Rondônia. Aos 47 anos, a diretora executiva diz que se divide entre o cargo público, o esposo, a casa e a vida pessoal, e que se sente feliz em poder contribuir com o trabalho para o desenvolvimento de Rondônia.

De ações para serem entregues ainda este ano, está a reforma da biblioteca estadual José Pontes Pinto, na capital, que deve acontecer ainda até o final deste mês, a revitalização do estacionamento do Palácio Rio Madeira, e a conclusão do auditório para os servidores. “Toda a mãO de obra é nossa, e o DER também entra com a parceria. A obra é do governo do estado. Aqui no estacionamento vamos arborizar tudo, devido o forte calor e a falta de sombra para os carros, e já conseguimos as mudas com a prefeitura e com a Sedam. Além disso, solicitamos novas marcações por parte da Semtran, respeitando as vagas para idosos e deficientes. Também temos a área de convivência do estacionamento, e o auditório do prédio anexo ao complexo, o que já está licitado para a conclusão, tudo com previsão até o final deste ano”, afirma a diretora.

 Comunicação

E para coordenar as importantes ações de governo para o desenvolvimento do estado há também uma mulher que desde 2013 está na comunicação estadual e atualmente é a diretora executiva da Superintendência Estadual de Comunicação (Secom). Edna Okabayashi é um exemplo de sucesso profissional, o que ela atribui ao estudo e à experiência de anos de serviço, aliados ao sexto sentido feminino. “Além da busca pela capacitação contínua, de estudar muito e pesquisar comunicação pública, tem aquela percepção que a mulher tem um pouquinho a mais, com todo respeito aos homens. Eu costumo dizer que a intuição feminina, quando considerada e trabalhada de forma que se consiga mensurar e colocar a serviço do coletivo, é muito positiva”.

Administrando as relações internas entre jornalistas e publicitários, Edna diz que é preciso ter um olhar diferenciado para os conflitos, para o dia-a-dia, para a rotina, projetos, e acima de tudo gostar do que faz. “É preciso gostar de gente, de estar resolvendo problemas que não são seus, pacificando, nunca confrontando ou aumentando os conflitos. Nós fazemos gestão de pessoas. Cada um tem que cumprir o seu papel e entregar o trabalho conforme o compromisso que firmou com a sociedade ao ser contratado para o serviço público”.

Edna lembra que foi a partir do trabalho que foi apresentado sob sua direção, e a boa parceria com o superintendente, Domingues Júnior, que o antigo Departamento de Comunicação foi transformado em superintendência, e a qualidade do material de divulgação alcançou a credibilidade de notícia oficial. “O governador nos deu condições para fazer esse trabalho de qualidade de informação. Temos uma métrica em que as notícias publicadas pela Secom são veiculadas em mais de 200 veículos de comunicação escrita, além de rádio e televisão. Nos tornamos produtores de conteúdos de excelência, e todos os jornalistas que trabalham aqui tem esse compromisso, com responsabilidade”, completa.

Há 20 anos no jornalismo, a primeira formação de Edna é como professora. “Agora eu estou fazendo mestrado em desenvolvimento regional e comunicação pública. O segredo é não parar, e a mulher tem essa inquietação de estar se reinventando. Eu já poderia estar pensando em me aposentar, mas eu vou fazer o quê?”, se questiona. E com a experiência do alto de seus 50 anos, a comunicadora considera como ter boas relações profissionais: “A vida dá voltas, a gente só tem que tratar as pessoas como a gente quer ser tratado. Hoje eu estou aqui, amanhã pode ser você. E eu gostaria de ser bem tratada”.

Como mulher ela se diz realizada e com sentimento de missão cumprida a cada dia. “Saber que estou participando de um momento histórico e único do governo do estado é muito gratificante, e sem bajulação, termos um governador como Confúcio é um privilégio. Humano, íntegro, um governador que cuida de detalhes, que quer saber das pessoas sendo bem atendidas e beneficiadas. Foram muitos projetos inovadores nesses últimos anos, e a comunicação que fizemos de lá até aqui cumpriu com o seu papel, foi instrumento para levar a informação para a sociedade”, concluiu.

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